sábado, 30 de outubro de 2010

Pesquisas 18

Votos válidos: DR - Dilma Rousseff; JS - José Serra; VP - Vox Populi; IB - Ibope; DF - Datafolha; SS - Sensus; GP - GPP.

Upideite(30/out/2010): Com o resultado do Ibope de hoje.
Upideite(30/out/2010): E agora do Vox Populi:

Caçadores de racistas

Vetar uma obra de Monteiro Lobato nas escolas é censura?

O Conselho Nacional de Educação decidiu vetar* a obra “Caçadas de Pedrinhos” de Monteiro Lobato por: a) possuir elementos racistas e b) não haver preparo dos professores para lidar com o material.

A grita foi de censura. Será mesmo censura? (Eu discordo do veto e falarei disso mais abaixo, mas por ora quero examinar a questão da censura.)

Passamos há não muito tempo por uma terrível ditadura – o processo de redemocratização mal completa 2520 e poucos anos – que, entre outras barbaridades implementou um sistema de censura. Reportagens, filmes e livros eram proibidos de circular, classificados de imoral, subversivos. Textos e materiais que apresentassem fatos e versões contrários aos interesses da ditadura tinham circulação restrita ou impedida de todo. Era preciso submeter a um comitê avaliador previamente que liberava, classificava ou proibia a circulação e execução da obra.

O CNE tem como uma de suas atribuições avaliar livros didáticos que são comprados pelo PNLD e pelo PNLEM (respectivamente programas de compra e distribuição de livros didáticos para os ensinos fundamental e médio de escolas públicas). Eles podem ser recomendados, recomendados com ressalvas ou reprovados. A reprovação de um livro faz com que os professores não possam pedir a aquisição do título pelo programa – mas não impede seu uso nas escolas: p.e., se o professor tiver cópias, ele tem a liberdade de usá-las com seus alunos.

Há pouco, fez-se a grita de que o livro “Nova História”, comprado e distribuído pelo programa, era “doutrinário” (e tenho a opinião de que ele era) e, assim, inadequado, não devendo ser recomendado pelo MEC. O livro acabou sendo retirado do programa. Isso foi censura?

E os livros que continha palavrões, descrições de crimes e de sexo? Foi um escândalo tanto em nível nacional quanto em nível estadual – pela Secretaria do Estado da Educação de São Paulo que havia adquirido e distribuído esses títulos na rede estadual de ensino. Foram retirados. Censura?

Se isso é censura, então os programas de avalição devem ser interrompidos e *todos* os livros liberados para compra mediante requisição dos professores – seja o Mein Kampf, seja o Caminho Suave; sejam doutrinários ou não; sejam pornográficos ou não. Fim da história.

Agora, se acham que deve haver avaliação de livros para verificar se eles são adequados quanto a questões como preconceito racial, de classe socioeconômica, gênero, idade, etc., de adequação conceitual, de segurança (não incentivar as crianças a realizarem experimentos perigosos, p.e.), não cabe acusação de censura. Pode-se discordar ou concordar com a avaliação – e a crítica ou defesa deve ser quanto ao mérito dessa avaliação. Gritar “censura” não significa nada nesse contexto.

Então, quanto ao mérito, “Caçadas de Pedrinho” é racista? Eu acho que não. Verdade que foi escrito em outra época, em que a questão da discriminação/igualdade racial não era tão proeminente como hoje. Mas não há insinuações racistas ou preconceituosas contra os negros. Os jornais (como O Globo) dizem que os seguintes trechos são destacados como indicação de preconceito racial:
"Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão".
"Não é a toa que macacos se parecem tanto com os homens. Só dizem bobagens."

Em um trecho anterior do livro, para enfrentar as onças, Pedrinho havia criado pernas de bambu para ficarem bem altos. Quando perguntado se a onça não poderia subir por elas, ele diz que as pernas seriam untadas e ficariam como paus-de-sebo e que nem macacos conseguiriam subir por elas. Mais adiante, Tia Nastácia estava sem as pernas de pau e quando a onça chegou, por medo, subiu rapidamente na árvore, a despeito de suas dificuldades e pouca habilidade natural. Esse é o contexto. Não há nenhuma comparação racista. Além disso, a expressão "macaca" não tem sentido pejorativo, haja vista que no conto sobre Hans Staden, Pedrinho chama sua turma - Emília, Narizinho, que haviam com ele subido em uma árvore, e Visconde, que havia ficado no chão - de "macacada". Carvão é apenas uma descrição da cor da pele - como neve em Branca de Neve.

A segunda frase diz "homens", os homens, seres humanos, dizem bobagens. Não há nenhuma comparação de macacos com negros. É dita em uma reunião que os animais da floresta fazem sobre que atitude tomar ante a morte de uma onça pelas mãos de Pedrinho:
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Logo que os viu reunidos, a capivara tomou a palavra e expôs a situação perigosa em que se achavam todos.
— Quem faz um cesto faz um cento — disse ela. — O fato de terem matado a onça vai encher de coragem esses meninos e fazê-los repetir suas entradas nesta floresta a fim de nos caçar a todos. O caso é bastante sério.
— Peço a palavra! — gritou o bugio, que estava de cabeça para baixo, seguro pelo rabo no seu galho. — Acho que o melhor meio de vocês escaparem à fúria desses meninos é fazerem como nós fazemos: morar em árvores. Quem mora em árvores está livre de todos os perigos do chão.
— Imbecil! — resmungou a capivara, furiosa de tamanha asneira. — Não é à toa que os macacos se parecem tanto com os homens. Só dizem bobagens. Esta reunião foi convocada para discutir-se a sério, visto que o caso é muito sério. Quem tiver uma idéia mais decente que a deste idiota pendurado, que tome a palavra e fale.
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O macaco é o animal e não uma metáfora de pessoa negra.

O parecer aprovado pelo CNE diz: "A crítica realizada pelo requerente foca de maneira mais específica a personagem feminina e negra Tia Anastácia e as referências aos personagens animais tais como urubu, macaco e feras africanas." O texto não se refere apenas a urubus e macacos, há ondas, veados, tatus, capivaras. As feras africanas são mecionadas apenas na imaginação de Pedrinho, que estava decepcionado de, no Brasil, apenas a onça parecer um animal ameaçador constituindo-se em um desafio para caçada - pensa no rinoceronte, que, no livro de Dona Benta, é descrito como muito perigoso, mas o rinoceronte fugido de um circo que encontram é manso e amistoso. Não há nenhum preconceito contra a África nesse aspecto. De fato, a única menção ao urubu é negativa: "E aves, desde o negro urubu fedorento, até essa jóia de asas que se chama beija-flor." - mas é o urubu ave e não é uma metáfora de pessoas negras.

É um excesso de zelo tolo que poderá privar os alunos da rede pública de uma ótima leitura. Algumas expressões realmente soam ofensivas atualmente, como quando Emília chama Nastácia de "pretura". Mas se o parecer absolve o texto de incentivo ao crime ambiental com a caçada de animais silvestres pelo fato da edição apresentar uma nota atual contextualizando que no passado a caça era permitida, uma simples observação quanto a esses anacronismos das relações raciais deveriam bastar - e não pedir que professores tenham toda uma formação sobre gênese do racismo no Brasil.

*Upideite(18/nov/2010): Aparentemente o termo "vetar" não seria correto. O parecer não teria caráter deliberativo, mas apenas de recomendação.

Upideite(09/jan/2011): Eu já havia lido antes, mas acabei não fazendo a menção a duas postagens no Biscoito Fino e a Massa sobre o tema. Ambos a defender a decisão do CNE: este e este.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Pesquisas 17 - correção do gráfico

Gráfico corrigido dos resultados das pesquisas sobre intenção de votos publicados até 28 de outubro - somente votos válidos.

Upideite(29/out/2010):
E, aproveitando, abaixo o gráfico com os resultados do Datafolha de ontem:

Habemus papam

Sakamoto preciso em seu twitter sobre a ingerência papal na política brasileira:
"Dando o troco, vou meter bedelho em eleição pra Papa: Acho que quem acoberta pedofilia não pode ser escolhido."

Os candidatos, claro, lamberam as botas do pontífice da ICAR. Triste.

Estado laico cadê?

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Pesquisas 17

Upideite(29/out/2010) CORREÇÃO:
Os gráficos abaixos apresentam uma pequena incorreção sob os critérios adotados por este blogue - os dados do Sensus marcados como dia 13 deveriam ter sido plotados no dia 11, data do início da amostragem (o dia 13 foi o do fim). Estão faltando os dados do Ibope do mesmo dia. O gráfico corrigido e atualizado pode ser conferido aqui.
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Corrida presidencial no segundo turno:


DR - Dilma Rousseff-PT; JS - José Serra-PSDB; VP - Vox Populi; IB - Ibope; DF - Datafolha; SS - Sensus. Somente votos válidos.

Upideite(27/out/2010): Acrescentando os dados do GPP.
Os resultados são compatíveis com os apontados por outros institutos. Há que se notar a diferença metodológica de que o GPP não faz estratificação - não há cotas por classes socioeconômicas. Parte dos resultados é didático na questão de que as pessoas mentem nas pesquisas. Entre os entrevistados, 2,9% dizem que não votou - o absenteísmo no primeiro turno foi de 18%; 3,6% dizem que anulou ou votou em branco - no primeiro turno foi de cerca de 8%. Entre outras coisas, por isso que é surpreendente que os institutos acertem tanto - podemos ver que o percentual dos que declaram ter votado em Dilma, Serra, Marina e outros bate mais ou menos com o resultado do 1o turno. Claro que eu dou risada do índice de 95% dos que declaram que com certeza votarão no 2o turno.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Este blogue está de luto...

Não é pelo Senador Romeu Tuma (não que eu haja lhe desejado mal - não me alegra sua morte, entristece-me, de fato; como a morte de todo ser humano), nem pelo polvo Paul, nem pelo fim do Walkman.

Meu luto é pela morte do governador José Serra. Não a morte física. Que eu saiba ele goza de plena saúde - ao menos somaticamente falando. É pela morte de seu caráter.

Folha: Em convenção da Assembleia de Deus, Serra promete vetar Lei da homofobia
O Globo: Serra promete a evangélicos vetar projeto que criminaliza homofobia

O tucano disse: "Do jeito que está, ele passa a perseguir igrejas que têm posições contrárias ao homossexualismo. Uma coisa é perseguir e fazer grupos de extermínio contra os gays, como tem acontecido. Outra, é proibir que as igrejas preguem contra atos homossexuais entre seus fieis. Eu vetarei essa lei. Essa lei não andará." (Se algum distraído eventualmente não atinou com o que isso significa, troque o grupo: "Uma coisa é perseguir e fazer grupos de extermínio contra negros... outra é proibir que as igrejas preguem contra os negros entre seus fieis.")

Triste fim de um político formado em meio às ideias progressistas da esquerda, da valoração das liberdades individuais, do respeito às diferenças e proteção às minorias.

Já não votaria nele por tudo o que fez em sua campanha. Mas agora faço questão de participar da campanha *contra* a candidatura de José Serra. O grande respeito que nutria pela figura de Serra - a despeito de minhas brincadeiras como sobre a bolinha de papel - evaporou-se por completo.

Dilma Rousseff, seja bem-vinda, presidente!

Upideite(26/out/2010): Deixe-me assinar esta postagem - Roberto Takata.
Upideite(27/out/2010): André Lima, no twitter, diz que é um espantalho a comparação com a situação dos negros. Não é. Criticar atos homossexuais é o mesmo que criticar os homossexuais, pois é a vera definição do que eles são. André cai na ladainha homofóbica - não que ele seja homofóbico, bem entendido - do "criticar o pecado e não o pecador". É um subterfúgio de discriminar as pessoas fingindo que não se está a discriminá-las. Mas se ainda quiser insistir: Pense em: "outra coisa é proibir que as igrejas preguem contra a negrice, coisa de preto, entre seus fieis".
Upideite(27/out/2010): O grupo da Diversidade Tucana postou a versão deles da questão. Douraram a pílula, mas deixaram de fora a parte reveladora: "Eu vetarei essa lei. Essa lei não andará." Sem falar que não há nada na PLC 122/2006 que fale sobre religião. É tergiversação.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

De Cunto, cê tá errado

A Globo pediu um parecer para outro perito independente. De Cunto também confirma que Serra foi atingido por um rolo - ou um objeto toroide (o site dele encontra-se agora fora do ar por excesso de acessos, uma cópia no blogue do Nassif). Apresenta a imagem abaixo como prova:
Mas basta olhar a imagem anterior:
Veja o detalhe das duas imagens:
Se o tal objeto toroidal (ou rolo de fita) tivesse atingido Serra, teria sido antes - desde pelo menos 4,7 segundos no vídeo - mas aí esse objeto teria se *grudado* no cocuruto do candidato, já que continua *e no mesmo lugar* no quadro de 4,9 segundos do vídeo.

A parte superior do toroide ou do rolo é, como apontado antes, o cabelo da pessoa atrás de Serra, a parte de baixo é o brilho e sombra da careca do próprio Serra - ou, antes, das bossas e depressões da careca.

Upideite(27/out/2010): O jornalista Italo Nogueira informa que o modelo do celular usado foi um Nokia E71. Quem tiver um aparelho igual poderá tentar reproduzir as condições e ver como uma fita se comportaria no vídeo. No comentário de uma postagem no Novo em Folha, Nogueira esclarece que a resolução estava em "alta".

sábado, 23 de outubro de 2010

Maltazar vs Nute Gunray


Maltazar (Arthur et les Minimoys)


Nute Gunray (Star Wars prequels I, II, III)

Molina, cê tá errado

O perito independente Ricardo Molina defende sua análise do vídeo de Serra tomada por celular pelo jornalista da Folha. Parafraseando uma velha piada, há aspectos corretos e contundentes. Mas o que é correto não sustenta a tese dele (da Globo e da Folha) e o que é contundente não é correto.

1) Sim, os dois vídeos - do SBT e da Folha - retratam momentos distintos. Isso *ninguém* contesta. (Eu seria maldoso ao dizer que insistir nisso - em diferenças tão óbvias que até uma criança recém-alfabetizada ou pré-alfabetizada veria - seria uma técnica de tergiversação.)

2) O endereço indicado retorna a mensagem que o vídeo não está disponível. Mas ele pode ser visto no sítio web do SBT. Mentira que o candidato não tem reação alguma, qualquer pessoa pode ver que ele depois olha para o chão.

3) O vídeo não mostra nenhum objeto atingindo Serra. *Supondo* que a área destacada contivesse o tal objeto, esse objeto teria se materializado do nada - já que não há registro da trajetória. O perito diz que seria pela velocidade do objeto. Se tivesse a velocidade exemplificada de 40 km/h *com certeza* o candidato teria alguma reação - a menos que a área fosse dessenssibilizada por algum motivo ou tivesse recebido algum treino. Mas vamos supor que isso explicasse a ausência de registro da trajetória pré-impacto. O perito diz, para justificar a imagem do objeto ter sido captada sobre a cabeça, que a velocidade teria caído para zero. Oras, então a trajetória pós-impacto deveria ter sido registrada, mas não, o objeto misteriosamente teria desaparecido como tal*.

4) O contorno bem definido do objeto *não* descarta a possibilidade de ser um artefato digital. Simplesmente porque justamente isso que dá um contorno bem definido - basta ver como as áreas retangulares são bem definidas. Ou o Molina acha que todos os retângulos presentes na imagem são objetos reais? Têm contornos bem definidos, com luminosidade compatível com a iluminação da cena e encontram-se entre as cabeças das pessoas e a objetiva do celular.

Abaixo mostro uma ampliação da imagem (clique nela para ver os detalhes).

Por que Molina não acompanha quadro a quadro o que acontece com a área do "calombo" - que seria a parte de trás do tal rolo de fita? É cabelo como disse aqui e um professor da UFSM disse aqui.

Upideite(23/out/2010): Mais um pouco de análise do perfil do tal objeto. Bônus, perfil da cabeça do Serra.
Molina não teve nem o trabalho de pegar uma foto de perfil de Serra para sobrepor à imagem - isso é necessário para saber distinguir onde começa e onde acaba o quê. E depois ele escreve que o contorno é definido - não tem contorno definido de objetos curvos em imagem de baixa resolução... A foto de Serra de perfil em que me baseei foi esta. Foi só fazer um contorno usando uma camada de transparência e depois jogar em cima da imagem - alinhando a orientação e redimensionando pela orelha.

Upideite(24/out/2010): O Prof. José Antonio Meira da Rocha faz também uma nova análise sobre as alegações de Molina.
*Kentaro Mori, nos comentários, observa que os problemas da baixa resolução e da compressão dos dados poderia fazer com que uma trajetória pós-impacto não fosse registrada. (Precisaríamos fazer um teste com um celular com as mesmas especificações do utilizado para gravar o vídeo.)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Pesquisas 16

Cenário das intenções de voto para presidente até 21 de outubro de 2010:


Continuam as patacoadas, como o PSDB querendo processar institutos de pesquisa. Falaram, previsivelmente, muitas bobagens sobre os erros dos institutos sobre o resultado do 1o turno.

O que é supreendente é que a distância entre o previsto e o realizado seja tão *pequena*. Levando em consideração fatores como flutuação aleatória, o fato dos entrevistados não precisarem dizer a verdade e poderem mudar de opinião de última hora - além de errarem na hora de votar -, os resultados foram bem próximos. E mais, a tendência foi apontada corretamente - havia chances de segundo turno sim.

No twitter cravei - atenção que não era pra levar a sério (embora se baseasse em projeções dos dados dos institutos) - que daria no 1o turno por pouco (e a boca de urna do Ibope acabou dando 51%).

É preciso entender que a margem de erro não quer dizer que os dados reais sempre têm que ficar dentro dela - ela é um parâmetro estatístico em que, em sendo uma grandeza com uma distribuição chamada normal (com uma curva do tipo sino), tirando-se uma amostra do conjunto total (chamado de universo amostral), a média verdadeira do conjunto estará em 95% das amostras tomadas dentro do intervalo dado pela média +/- margem de erro.

Os institutos de pesquisa - até um tanto por falta de modelo melhor - dão uma certa forçada de barra ao calcularem a margem de erro com base em modelo de distribuição normal. Para que isso valesse, entre outros fatores, a amostragem teria que ser completamente aleatorizada - mas, em geral, os institutos - por questões operacionais - recorrem a uma amostragem estratificada (pegam um determinado número dentro de cada subconjunto do universo - por exemplo, se o Censo mostra que há y% de pessoas no Brasil maiores de 16 anos que têm renda X, pegarão tantas pessoas com renda X de modo que represente y% da amostra). Na divulgação também há uma simplificação de aplicarem uma mesma margem para todos os pontos - a margem varia de ponto a ponto de acordo com sua fração (não entrarei em detalhes aqui).

Olhando para os gráficos plotando os resultados dos institutos de pesquisa (p.e., o que publiquei nesta postagem), grosso modo, 4 p.p. seria uma melhor estimativa global de margem de erro.

Então se alguém me perguntar se eu acredito nos resultados dos institutos de pesquisa, eu direi que acredito. Apenas que não devemos interpretá-los como um resultado cravado.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Porra, Molina: O que se passa pela cabeça de Serra?

O único objeto a incontestavelmente atingir o candidato do PSDB, o governador José Serra, é uma bolinha de papel, como mostrada nas imagens do SBT.

A Folha divulgou vídeo feito por um repórter seu por celular afirmando que mostrava outro momento em que Serra era atingido por outro objeto. A Globo pediu ao perito Molina para analisar a imagem.

Mostram esta imagem como prova de que Serra foi atingido por um rolo de fita adesiva:
Desculpe-me, Prof. Molina, mas o Instituto NAQ de Análise Caseira de Imagens discorda do parecer. Essa imagem pouco nítida de celular, na verdade mostra o *cabelo* de uma pessoa atrás de Serra.

Pra começar, veja a imagem abaixo:

Foi tirada do mesmo vídeo. Vemos que há retângulos em vários pontos formados pela baixa resolução da câmara - setas em amarelo. Então o retângulo na cabeça de Serra não é o rolo visto de lado. Vamos analisar o "calombo" indicado pela seta em vermelho.

Os dois frames seguintes não mostram muita coisa, só a persistência do calombo:
No quarto frame da sequência, o calombo parece diminuir:
Os dois seguintes também não mostram muita coisa:
Mas o frame seguinte mostra, o calombo *aumentando*. Se fosse o tal rolo, ele teria *subido*, em clara afronta aos princípios ditatoriais nazifascistas da lei da gravitação!

Mais alguns frames em que não acontece muita coisa:





Mas eis que o calombo *acompanha* Serra seguindo em *frente*! Teria o rolo de fita adesiva grudado em Serra?

Aí tem vários frames desinteressantes. Não irei reproduzi-los, mas quem estiver interessado é só baixar um programa que permita a exibição quadro a quadro - tem sharewares que poderá usar para testes (eu usei o share do Video Snapshot Wizard). No quadro acima já dá pra ver que o rolo de fita que o perito identificou - porra, Molina! - é o topete de alguém. Seguindo mais à frente no vídeo, eis a identificação do rolo que jogaram em Serra:

Sério, *porra*, Molina! (Porra, Globo; porra, Folha.)

É bem possível, no entanto, que tenham jogado outros objetos no governador. Isso seria um ato mais do que lamentável. Só o ato de tacar bolinha em alguém é uma violência inaceitável. Não pela agressão física em si - que no caso da bolinha de papel é mínima para inexistente -, mas pelo desrespeito que isso representa. Lastimável também o fato de tentarem atingir a candidata do PT, a ministra Dilma Rousseff.

domingo, 3 de outubro de 2010

Eleições 2010: Apuração

Até 19h02.

Até 19h27

Até 19h41

Até 20h03


Até 20h44.

Até 22h59.

Amanhã a grande discussão deve ser a discrepância entre os resultados dos institutos de pesquisa com o resultado eleitoral.

sábado, 2 de outubro de 2010

Pesquisas 15: Dilma Rousseff - votos válidos

Considerando-se somente os votos válidos, os dados dos institutos sobre a intenção de voto para Dilma Rousseff dão o gráfico abaixo.


Upideite(02/out/2010): Com os resultados do Ibope e do Datafolha, o gráfico é como abaixo:

Upideite(03/out/2010): Com o resultado do tracking do Vox Populi de sábado:

Peanuts 60: Que puxa!

60 anos de Minduim e sua turma.
No dia 2 de outubro de 1950 era publicada a primeira tirinha de Peanuts (A turma do Charlie Brown), criação do finado Charles Schulz (morto em 2000).